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Em junho de 2026, a Science Based Targets initiative (SBTi) lançou a versão 2.0 do seu padrão corporativo Net-Zero, considerada a revisão mais significativa desde a criação da metodologia. O novo modelo não altera apenas critérios técnicos de definição de metas climáticas. Ele muda a forma como as empresas devem estruturar, implementar e demonstrar seus compromissos de descarbonização.
A atualização surge em um contexto de crescente pressão de investidores, reguladores, clientes e cadeias de valor para que as organizações demonstrem resultados concretos na gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), alinhados às metas globais definidas pelo Acordo de Paris.
Desde sua criação, a SBTi tem sido uma das principais referências mundiais para empresas que desejam alinhar suas metas climáticas à ciência.
“Submeter metas ao SBTi demonstra compromisso e engajamento das empresas com as Mudanças Climáticas. Além de assumir um compromisso público, a empresa tem uma base metodológica validada, que demonstra que a organização está no caminho certo. Muito mais do que um compromisso público, a meta SBTi é um norte para muitas empresas que querem comunicar ações concretas e alinhadas à ciência, embasando comunicações e estratégias utilizando as melhores práticas de mercado. “
Claudio Mendonça – CEO da ARCA Sustentabilidade
A versão anterior do padrão concentrava grande parte dos esforços na definição de metas ambiciosas de redução de emissões. Já a nova versão amplia significativamente esse olhar.
A partir de agora, não basta estabelecer uma meta de redução de carbono. As empresas deverão demonstrar:
Em outras palavras, enquanto a versão anterior avaliava principalmente o nível de ambição, a versão 2.0 passa a avaliar a capacidade efetiva de implementação.
A atualização da metodologia ocorre em meio ao agravamento dos impactos climáticos observados em diversas regiões do planeta.
Mesmo se todos os países atingirem suas atuais contribuições nacionais (NDCs) definidas após o Acordo de Paris, as projeções indicam que, ainda assim, o mundo será conduzido a um aumento de temperatura superior ao limite de 1,5ºC.
Essa realidade tem fortalecido a necessidade de mecanismos capazes de acelerar a transformação das estratégias corporativas em resultados concretos de descarbonização.
É justamente nesse ponto que a SBTi 2.0 se posiciona.
Uma das principais novidades da versão 2.0 é a criação de duas categorias formais de empresas: Categoria A e Categoria B.
O objetivo é tornar as exigências mais proporcionais ao porte e à complexidade de cada organização.
Empresas localizadas em países classificados com renda média-alta pelo Banco Mundial, como o Brasil, entram na categoria A se possuírem pelo menos um dos critérios abaixo:
As demais empresas são enquadradas na Categoria B.
Embora pareça uma alteração administrativa, essa classificação define uma série de obrigações relacionadas a escopo de metas, reporte e governança.
Se existe uma mudança capaz de impactar significativamente os programas corporativos de descarbonização, ela está relacionada ao Escopo 3.
Na nova versão, empresas enquadradas na Categoria A passam a ter obrigatoriedade de desenvolver metas para categorias do Escopo 3 que representem mais de 5% das emissões totais dessa categoria.
Isso reforça uma tendência já conhecida por muitas organizações: a maior parte das emissões frequentemente está fora dos limites operacionais diretos da empresa.
Por esse motivo, a SBTi passa a incentivar três abordagens complementares:
A empresa atua diretamente sobre atividades da cadeia de valor para reduzir emissões.
Fornecedores e clientes Tier 1 passam a ser engajados para estabelecer suas próprias metas baseadas na ciência.
A metodologia cria mecanismos personalizados para setores e atividades com grande intensidade de emissões, como:
Outra mudança relevante é a transformação do plano de transição climática, um requisito obrigatório para todas as empresas.
Segundo a nova metodologia, o plano deve contemplar:
Para empresas da Categoria A, além da elaboração, também passa a existir a obrigação de divulgação pública do plano em até 15 meses após a validação das metas.
Essa exigência fortalece a conexão entre as metas climáticas e outras agendas regulatórias emergentes, como relatórios de sustentabilidade e requisitos de transparência climática.
A SBTi 2.0 também reforça um aspecto muitas vezes negligenciado na gestão climática: a governança.
Pela nova abordagem, a responsabilidade pelas metas não pode ficar restrita às áreas de sustentabilidade.
A organização deverá demonstrar que:
Na prática, isso aproxima a gestão climática das decisões estratégicas do negócio.
O padrão também introduz uma hierarquia de implementação que prioriza reduções reais de emissões antes do uso de mecanismos indiretos.
A sequência proposta é:
O objetivo é garantir que a prioridade continue sendo a redução efetiva das emissões na fonte.
Outro avanço importante é a criação de ciclos formais de cinco anos.
O novo ciclo inclui:
A lógica é simples: metas climáticas deixam de ser projetos pontuais e passam a ser processos permanentes de gestão.
Embora a obrigatoriedade da versão 2.0 esteja prevista para fevereiro de 2028, o processo de adaptação deve começar desde já.
Algumas prioridades incluem:
A versão 2.0 do SBTi sinaliza uma nova etapa da agenda climática corporativa. O foco deixa de estar apenas na ambição das metas e passa a considerar a capacidade das organizações de demonstrar progresso real, governança estruturada e implementação consistente.
Para as empresas brasileiras, a mensagem é clara: a próxima década exigirá não apenas compromissos climáticos mais robustos, mas também maior transparência, rastreabilidade e integração da sustentabilidade à estratégia do negócio.
Mais do que estabelecer metas, será necessário mostrar como elas estão sendo colocadas em prática.
A adaptação aos novos requisitos da SBTi exige mais do que conhecimento técnico sobre Inventários de Gases de Efeito Estufa. A nova versão demanda planejamento, capacidade de implementação, envolvimento da liderança e integração com toda a cadeia de valor.
É justamente nesse cenário que a ARCA atua. Nossa equipe apoia empresas em todas as etapas da jornada climática:
Realizamos inventários de GEE alinhados ao GHG Protocol, identificando fontes emissoras, riscos e oportunidades de redução.
Apoiamos a definição de metas alinhadas à SBTi, considerando as particularidades de cada setor, a maturidade da organização e os desafios de implementação.
Auxiliamos empresas no mapeamento das emissões indiretas, engajamento de fornecedores e definição de estratégias para categorias prioritárias.
Desenvolvemos planos de descarbonização que conectam metas, ações, governança, investimentos e indicadores de acompanhamento.
Com o Sistema ARCA ESG, as organizações podem centralizar indicadores, automatizar processos, monitorar emissões e acompanhar a evolução de suas metas climáticas de forma integrada.
Apoiamos a preparação de relatórios e divulgações alinhadas às principais exigências de mercado e tendências regulatórias.
As mudanças propostas pela SBTi 2.0 reforçam um ponto fundamental: metas climáticas só geram valor quando são acompanhadas de planejamento, governança e ações concretas de implementação. Esse movimento já pode ser observado em empresas brasileiras que vêm avançando na gestão de suas emissões e no engajamento de suas cadeias de valor.
Na ARCA, tivemos a oportunidade de apoiar organizações como a Azul Linhas Aéreas e a Riachuelo em iniciativas relacionadas à agenda climática. No caso da Azul, o trabalho envolveu a construção de uma estratégia estruturada de descarbonização para um setor em que as emissões de cadeia de valor e os desafios tecnológicos têm papel central. Já a Riachuelo avançou na definição de metas alinhadas à ciência por meio da SBTi, fortalecendo seu compromisso com a transição para uma economia de baixo carbono. São exemplos que demonstram como diferentes segmentos podem transformar compromissos climáticos em ações concretas e mensuráveis.
Confira os cases completos da Azul e da Riachuelo em nosso blog e veja como essas organizações estão colocando suas estratégias climáticas em ação.
A nova versão do padrão reforça uma mensagem importante: a agenda climática corporativa está entrando em uma nova fase, na qual governança, implementação e transparência terão o mesmo peso que a definição de metas.
Quanto antes sua organização iniciar essa preparação, maiores serão as oportunidades de reduzir riscos, fortalecer a competitividade e avançar na transição para uma economia de baixo carbono.
Converse com nossa equipe de especialistas ARCA e descubra como estruturar uma estratégia climática alinhada aos requisitos da SBTi 2.0 e às demandas de mercado.
Fale com um consultor e descubra como nossas soluções podem apoiar a sua operação.
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