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Metas SBTi

SBTi 2.0: Conheça as principais mudanças na nova versão.

9 min de leitura

SBTi 2.0: Conheça as principais mudanças na nova versão.

Em junho de 2026, a Science Based Targets initiative (SBTi) lançou a versão 2.0 do seu padrão corporativo Net-Zero, considerada a revisão mais significativa desde a criação da metodologia. O novo modelo não altera apenas critérios técnicos de definição de metas climáticas. Ele muda a forma como as empresas devem estruturar, implementar e demonstrar seus compromissos de descarbonização.  

A atualização surge em um contexto de crescente pressão de investidores, reguladores, clientes e cadeias de valor para que as organizações demonstrem resultados concretos na gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), alinhados às metas globais definidas pelo Acordo de Paris. 

Da ambição à implementação: o principal recado da SBTi 2.0 

Desde sua criação, a SBTi tem sido uma das principais referências mundiais para empresas que desejam alinhar suas metas climáticas à ciência. 

“Submeter metas ao SBTi demonstra compromisso e engajamento das empresas com as Mudanças Climáticas. Além de assumir um compromisso público, a empresa tem uma base metodológica validada, que demonstra que a organização está no caminho certo. Muito mais do que um compromisso público, a meta SBTi é um norte para muitas empresas que querem comunicar ações concretas e alinhadas à ciência, embasando comunicações e estratégias utilizando as melhores práticas de mercado. “

Claudio Mendonça – CEO da ARCA Sustentabilidade

A versão anterior do padrão concentrava grande parte dos esforços na definição de metas ambiciosas de redução de emissões. Já a nova versão amplia significativamente esse olhar. 

A partir de agora, não basta estabelecer uma meta de redução de carbono. As empresas deverão demonstrar: 

  • Como pretendem atingir suas metas; 
  • Quais ações serão implementadas; 
  • Como a governança acompanhará a execução; 
  • Como o progresso será monitorado e reportado ao mercado.  

Em outras palavras, enquanto a versão anterior avaliava principalmente o nível de ambição, a versão 2.0 passa a avaliar a capacidade efetiva de implementação. 

Uma resposta aos desafios da transição climática global 

A atualização da metodologia ocorre em meio ao agravamento dos impactos climáticos observados em diversas regiões do planeta. 

Mesmo se todos os países atingirem suas atuais contribuições nacionais (NDCs) definidas após o Acordo de Paris, as projeções indicam que, ainda assim, o mundo será conduzido a um aumento de temperatura superior ao limite de 1,5ºC.

Essa realidade tem fortalecido a necessidade de mecanismos capazes de acelerar a transformação das estratégias corporativas em resultados concretos de descarbonização. 

É justamente nesse ponto que a SBTi 2.0 se posiciona. 

Categorias A e B: uma mudança que impacta diretamente as empresas  

Uma das principais novidades da versão 2.0 é a criação de duas categorias formais de empresas: Categoria A e Categoria B.  

O objetivo é tornar as exigências mais proporcionais ao porte e à complexidade de cada organização. 

Empresas localizadas em países classificados com renda média-alta pelo Banco Mundial, como o Brasil, entram na categoria A se possuírem pelo menos um dos critérios abaixo:

  • Faturamento líquido igual ou superior a € 450 milhões; 
  • Mais de 1.000 colaboradores equivalentes em tempo integral (FTE).  

As demais empresas são enquadradas na Categoria B.  

Embora pareça uma alteração administrativa, essa classificação define uma série de obrigações relacionadas a escopo de metas, reporte e governança. 

O Escopo 3 ganha ainda mais relevância  

Se existe uma mudança capaz de impactar significativamente os programas corporativos de descarbonização, ela está relacionada ao Escopo 3. 

Na nova versão, empresas enquadradas na Categoria A passam a ter obrigatoriedade de desenvolver metas para categorias do Escopo 3 que representem mais de 5% das emissões totais dessa categoria.  

Isso reforça uma tendência já conhecida por muitas organizações: a maior parte das emissões frequentemente está fora dos limites operacionais diretos da empresa. 

Por esse motivo, a SBTi passa a incentivar três abordagens complementares: 

1. Redução direta de emissões 

A empresa atua diretamente sobre atividades da cadeia de valor para reduzir emissões. 

2. Alinhamento fornecedor-cliente 

Fornecedores e clientes Tier 1 passam a ser engajados para estabelecer suas próprias metas baseadas na ciência.  

3. Metas específicas para atividades de alto impacto 

A metodologia cria mecanismos personalizados para setores e atividades com grande intensidade de emissões, como: 

  • Cimento; 
  • Aço; 
  • Logística; 
  • Transporte; 
  • Aviação.

O plano de transição deixa de ser opcional 

Outra mudança relevante é a transformação do plano de transição climática, um requisito obrigatório para todas as empresas.  

Segundo a nova metodologia, o plano deve contemplar: 

  • Metas validadas; 
  • Fontes de emissão abrangidas; 
  • Ações de implementação; 
  • Cronogramas; 
  • Premissas e dependências externas; 
  • Estrutura de governança; 
  • Estratégias de descarbonização.  

Para empresas da Categoria A, além da elaboração, também passa a existir a obrigação de divulgação pública do plano em até 15 meses após a validação das metas.  

Essa exigência fortalece a conexão entre as metas climáticas e outras agendas regulatórias emergentes, como relatórios de sustentabilidade e requisitos de transparência climática. 

O clima chega definitivamente à alta administração

A SBTi 2.0 também reforça um aspecto muitas vezes negligenciado na gestão climática: a governança. 

Pela nova abordagem, a responsabilidade pelas metas não pode ficar restrita às áreas de sustentabilidade. 

A organização deverá demonstrar que: 

  • A alta liderança supervisiona as metas; 
  • Existe uma estrutura formal de governança; 
  • Há processos documentados de acompanhamento; 
  • As metas passam por revisões periódicas.  

Na prática, isso aproxima a gestão climática das decisões estratégicas do negócio.

Uma nova hierarquia para a descarbonização 

O padrão também introduz uma hierarquia de implementação que prioriza reduções reais de emissões antes do uso de mecanismos indiretos.  

A sequência proposta é: 

  1. Redução direta nas operações e cadeia de valor; 
  1. Atuação em sistemas compartilhados, como redes elétricas e cadeias de abastecimento; 
  1. Iniciativas setoriais de transformação; 
  1. Ações facilitadoras e financiamento de soluções futuras.  

O objetivo é garantir que a prioridade continue sendo a redução efetiva das emissões na fonte.

O ciclo de metas agora é contínuo 

Outro avanço importante é a criação de ciclos formais de cinco anos.  

O novo ciclo inclui: 

  • Classificação da empresa; 
  • Definição do ano-base; 
  • Estabelecimento das metas; 
  • Implementação; 
  • Reporte anual de progresso; 
  • Avaliação formal ao final do ciclo; 
  • Renovação das metas.  

A lógica é simples: metas climáticas deixam de ser projetos pontuais e passam a ser processos permanentes de gestão. 

O que as empresas devem fazer agora?

Embora a obrigatoriedade da versão 2.0 esteja prevista para fevereiro de 2028, o processo de adaptação deve começar desde já.  

Algumas prioridades incluem: 

  • Revisar a qualidade do inventário de GEE; 
  • Avaliar o enquadramento nas Categorias A ou B; 
  • Mapear emissões relevantes de Escopo 3; 
  • Estruturar mecanismos de governança climática; 
  • Desenvolver um plano de transição; 
  • Avaliar a maturidade dos dados e sistemas de reporte.  

A versão 2.0 do SBTi sinaliza uma nova etapa da agenda climática corporativa. O foco deixa de estar apenas na ambição das metas e passa a considerar a capacidade das organizações de demonstrar progresso real, governança estruturada e implementação consistente.  

Para as empresas brasileiras, a mensagem é clara: a próxima década exigirá não apenas compromissos climáticos mais robustos, mas também maior transparência, rastreabilidade e integração da sustentabilidade à estratégia do negócio. 

Mais do que estabelecer metas, será necessário mostrar como elas estão sendo colocadas em prática. 

Como a ARCA apoia empresas na implementação da SBTi 2.0 

A adaptação aos novos requisitos da SBTi exige mais do que conhecimento técnico sobre Inventários de Gases de Efeito Estufa. A nova versão demanda planejamento, capacidade de implementação, envolvimento da liderança e integração com toda a cadeia de valor. 

É justamente nesse cenário que a ARCA atua. Nossa equipe apoia empresas em todas as etapas da jornada climática: 

Diagnóstico e inventário de emissões 

Realizamos inventários de GEE alinhados ao GHG Protocol, identificando fontes emissoras, riscos e oportunidades de redução. 

Estruturação de metas climáticas 

Apoiamos a definição de metas alinhadas à SBTi, considerando as particularidades de cada setor, a maturidade da organização e os desafios de implementação. 

Gestão de Escopo 3 e cadeia de valor 

Auxiliamos empresas no mapeamento das emissões indiretas, engajamento de fornecedores e definição de estratégias para categorias prioritárias.

Planos de Transição Climática

Desenvolvemos planos de descarbonização que conectam metas, ações, governança, investimentos e indicadores de acompanhamento.

Tecnologia para gestão ESG 

Com o Sistema ARCA ESG, as organizações podem centralizar indicadores, automatizar processos, monitorar emissões e acompanhar a evolução de suas metas climáticas de forma integrada. 

Reporte e transparência

Apoiamos a preparação de relatórios e divulgações alinhadas às principais exigências de mercado e tendências regulatórias.

Da estratégia à prática: exemplos reais de descarbonização 

As mudanças propostas pela SBTi 2.0 reforçam um ponto fundamental: metas climáticas só geram valor quando são acompanhadas de planejamento, governança e ações concretas de implementação. Esse movimento já pode ser observado em empresas brasileiras que vêm avançando na gestão de suas emissões e no engajamento de suas cadeias de valor. 

Na ARCA, tivemos a oportunidade de apoiar organizações como a Azul Linhas Aéreas e a Riachuelo em iniciativas relacionadas à agenda climática. No caso da Azul, o trabalho envolveu a construção de uma estratégia estruturada de descarbonização para um setor em que as emissões de cadeia de valor e os desafios tecnológicos têm papel central. Já a Riachuelo avançou na definição de metas alinhadas à ciência por meio da SBTi, fortalecendo seu compromisso com a transição para uma economia de baixo carbono. São exemplos que demonstram como diferentes segmentos podem transformar compromissos climáticos em ações concretas e mensuráveis. 

Confira os cases completos da Azul e da Riachuelo em nosso blog e veja como essas organizações estão colocando suas estratégias climáticas em ação.

Sua empresa está preparada para a SBTi 2.0? 

A nova versão do padrão reforça uma mensagem importante: a agenda climática corporativa está entrando em uma nova fase, na qual governança, implementação e transparência terão o mesmo peso que a definição de metas. 

Quanto antes sua organização iniciar essa preparação, maiores serão as oportunidades de reduzir riscos, fortalecer a competitividade e avançar na transição para uma economia de baixo carbono. 

Converse com nossa equipe de especialistas ARCA e descubra como estruturar uma estratégia climática alinhada aos requisitos da SBTi 2.0 e às demandas de mercado. 

Fale com um consultor e descubra como nossas soluções podem apoiar a sua operação. 

Fontes consultadas

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